O texto nunca publicado
Hoje “o vida de trouxa” vai para mim, por que não tem nada mais vergonhoso que pagar mico na frente de toda a alta sociedade do seu círculo social. Certamente temos que agradecer que ”vergonha alheia” e “vontade de cavar um buraco no chão e enfiar a cara” não deixa a gente doidão. Porque se fosse...
Eu queria entender porque isso acontece comigo, porque tropeço nas palavras quando eu estou na presença “da pessoa”, porque eu fico nervoso e me preocupo tanto com o que pode pensar sobre mim. A verdade é que eu sei o motivo, só é algo difícil de aceitar, de entender e de assumir.
A verdade é que eu queria saber mais sobre ele, sobre o que o alegra e o que o deixa para baixo, poder ser alguém que o faz sorrir e confortá-lo quando o mundo parecer desabar, poder dizer que quando tudo vai dar certo, ajudar a fazer tudo dar certo, mas eu sei que algo assim nunca funcionaria.
Mesmo que eu me sinta hipnotizado pelo pelo som doce do bater de seu coração, ora agitado ora calmo, como a maré. Embora eu também sinta vontade de sorrir, ao notar como seus olhos ficam cristalinos quando você sorri, mesmo que discretamente. Mesmo que eu me iluda que você é como eu, que você entende o que eu sou agora e que por isso não é preciso mentiras nem máscaras aqui. Eu sei que mesmo isso é uma mentira. Afinal, se você conseguiu algum feitiço com que lhe deixasse quente, por que iria querer abraçar algo gélido e morto? A vida é bela e atraente, assim como você.
E mesmo que você não me rejeitasse o que nós poderíamos fazer? Não é como se pudéssemos ver o nascer do Sol, tomar umas bebidas juntos ou comer algo legal.
No fim, gostar de você me lembra que eu sinto falta de muita coisa. Muita coisa que eu eu pensava ter me acostumado.
E eu fico nessa bipolaridade emocional de querer jogar tudo para o alto e desistir de nutrir qualquer coisa já fadada ao fracasso, mas desistir de desistir quando você brota na minha noite de novo.
As vezes eu me pergunto se eu não estaria sob o efeito de algum feitiço, algum tipo de condição estranha jogada sobre mim, mas ao mesmo tempo eu penso que mesmo que seja, talvez eu não queira me livrar dela. Gostar de alguém é angustiante, mas ao mesmo tempo é um alento para a alma e a oportunidade de pequenos momentos de felicidade quando o objeto de desejo lhe direciona qualquer atenção.
Além disso, tem toda essa merda acontecendo.
- Eu tenho meu projeto do POP para avançar e isso é bastante desgastante. (Eu ainda preciso de alguém de confiança para ficar olhando as coisas lá por mim.)
- Eu preciso estudar mais sobre as bruxas. (Tenho que falar com o Ed, o Rodrigo e o Leo sobre fontes decentes para pesquisar.)
- Tem o Parkour que eu queria treinar um pouco mais.
- Tem os capítulos do mangá que eu tenho que traduzir.
- Tem os emails do trabalho que eu tenho que revisar e as colunas para escrever.
- Além disso tudo ainda tem os problemas da galera sobre comida e a guerra que bate na porta. (Eu quero tirar alguns dias para estudar alguma táticas militares históricas para poder sugerir uma abordagem decente caso tenhamos que entrar)
Acho que preciso de uns três banhos de mar para relaxar desses problemas todos.
Falando em problema, espero que a Pringles tenha dormido para sempre, que tenha virado poeira no inferno de onde ela vem, aquele demônio. Só de lembrar do pesadelo que eu tive eu fico nervoso. O sorriso medonho, o desespero do Ed… Acho que o que aumentou meu sentimento de proteção pelo rapaz foi o ódio que eu tenho por aquele diabo satanás do inferno.
Mas agora, as bruxas querem ser nossas amigas e elas prometem sangue… (Lembrei da música do Scar aqui.)
Eu não sei o que fazer quanto a essa guerra. Honestamente, não é algo que eu ache que devemos nos envolver, principalmente na crise em que estamos, principalmente porque somos muitos. Principalmente porque não apenas os vampiros vão ser sangrados nisso, mas a população inocente também. Muito sangue será derramado nessa guerra, seja no chão seja em gargantas.
Por outro lado, talvez nossa “não intromissão” apenas estenda ainda mais um golpe que poderia ser rápido. No fim, não se tem como ter certeza de nada agora.
Eu sei que eu me sinto cansado e fatigado de tantos problemas e tarefas como nunca fiquei na minha vida. Confesso que eu ainda tenho medo do que eu vi naquele prédio e me assusta que todo mundo esteja agindo tão natural, será que apenas eu tive aquela noite como atormentadora? Foi a minha primeira vez em um confronto com um mais velho e isso ainda me arrepia os cabelos da nuca.
Eu me pergunto o que teria acontecido se eu não tivesse conseguido fugir daquele parque. Eu me pergunto o que o Ed teve que passar nas mãos dela. Eu me pergunto a confusão que vai acontecer quando em vez de tentar cooperar com ela ( já que ela, é uma bruxa), eu estiver planejando eliminá-la de vez. Eu nunca fui de querer a morte de ninguém, mas daquele demônio, eu desejo.
Falando em morte, eu tenho consciência que talvez eu caia nessa guerra, afinal é o que guerras fazem, ela levam e levam deixando uma pilha de túmulos e histórias inacabadas e além disso eu confesso que meu gênio não me deixa em posições muito seguras, talvez eu devesse ser um pouco mais covarde, acho que minha saúde agradeceria.
Mas a verdade, é que embora eu não consiga evitar, pensar no futuro me apavora. Eu tenho medo de morrer. Seja queimando solitário em um motim de chamas amareladas ou espancado e inerte no chão, sendo sugado até a última gota.
Eu tenho medo de pensar no futuro e o vazio do meu quarto não me ajuda nisso.
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